Fernando Torquato Silveira

Ano que vem temos a Copa do Mundo e, recentemente, terminei de ler o livro do italiano Carlo Ancelotti, treinador da Seleção Brasileira, denominando “Liderança Tranquila”. Cheguei ao título porque queria algo inspirador, escrito por alguma pessoa que realmente venceu ao meter a mão na massa. Procurei uma crítica ou outra na internet e cheguei nele.
De largada posso dizer: não é uma grande obra, mas tem a sua utilidade. É uma leitura leve e fácil de ser concluída. Ainda que recheada de clichês, como algumas menções ao personagem Vito Corleone, de “O Poderoso Chefão”, o livro nos mostra um pouco da dinâmica de um treinador de futebol de carreira vitoriosa, que passou por alguns dos melhores clubes de futebol do mundo, experimentando glórias, mas também ambientes de muito desafios e conflitos.
E o que isso tudo tem a ver com mundo jurídico?
À primeira vista, as táticas de vestiário do Real Madrid ou do Milan parecem distantes da realidade do mundo do Direito. No entanto, é possível perceber que a gestão de alto rendimento possui uma linguagem universal. Embora o livro trate de futebol, suas lições sobre gerir talentos e navegar em ambientes de pressão extrema ressoam na prática jurídica. Para o advogado a obra oferece um lembrete interessante: a autoridade técnica não precisa (e não deve) ser exercida através do grito ou da imposição tirânica, que intoxicam ambientes. “Carleto”, como a imprensa esportiva brasileira tem chamado Ancelotti, deixa transparecer uma atmosfera perene de calma, embora tenha seus momentos de raiva.
A premissa central de Ancelotti é a construção de uma “família profissional”, onde a lealdade é conquistada pelo respeito e pela competência, não pelo medo. No mundo jurídico, muitas vezes nos apegamos à figura do líder personalista e centralizador. Entretanto, a liderança tranquila demonstra que, para gerir, por exemplo, um escritório de advocacia, a inteligência emocional supera a rigidez hierárquica. Um gestor jurídico que ouve e adapta a função ao talento do advogado — assim como Ancelotti adapta o esquema tático aos seus jogadores — extrai muito mais valor de sua equipe do que aquele que tenta forçar profissionais a moldes preestabelecidos.
Outro ponto crucial da obra que dialoga com a advocacia é a “gestão para cima”. Ancelotti detalha como servia de “escudo” para proteger seus jogadores das pressões dos donos dos clubes (como Berlusconi – do Milan – ou Abramovich – do Chelsea), permitindo que o time focasse apenas no jogo. Na advocacia exercemos esse papel diariamente: somos o filtro entre a ansiedade do cliente e a técnica processual necessária. A habilidade de absorver a pressão externa, mantendo a serenidade interna da banca para trabalhar no caso, é uma das soft skills mais subestimadas e vitais da advocacia.
Por fim, o livro nos ensina que a liderança silenciosa é, muitas vezes, a mais efetiva em resultados. Ancelotti não é o protagonista do espetáculo; ele cria o ambiente para que outros brilhem, mantendo a sua simplicidade. No Direito, onde o ego pode ser um obstáculo, adotar essa postura é libertador. Seja na condução de um escritório ou na estratégia de um contencioso complexo, a lição que fica é que a verdadeira liderança jurídica não está em ter a voz mais alta na sala de reuniões, mas em ser a âncora de estabilidade e confiança. Será interessante ver como essa “Liderança Tranquila” será testada no ambiente de paixão e pressão extrema da Seleção Brasileira, rumo à Copa do Mundo, mas a advocacia já pode começar a aplicar essa filosofia vencedora hoje.
Nota: o presente texto foi escrito por uma mente humana com auxílio de inteligência artificial.

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